Numa tarde de inverno de 1967, nascia em Brasilia, um menino a quem foi dado o nome de Sérgio. Enquanto crescia e brincava, no extremo sul do Brasil, uma pequena cidade chamada de Barra do Quaraí também crescia e prosperava, inserida num recanto de riquezas naturais, históricas e culturais. Um dia, os destinos do menino e da cidade iriam se encontrar...

Sérgio Rivaldo Campos, filho de professora e pai militar da Aeronautica costuma dizer que foi concebido em Porto alegre, nasceu em Brasília e aprendeu a falar nas Minas Gerais. É um menino bem brasileiro, com alma acolhedora e simpática para com todos. Seus primeiros anos foram na Base Militar de Lagoa Santa, próximo a Belo Horizonte.

Passava os dias no Clube Militar. Certa vez, foi com o pai à lancheria do Clube. Quando seu pai pegou a carteira, para pagar, o menino disse:

- Pai, aqui a gente não paga, apenas diz: põe na conta! (“põe na conta” era a palavra mágica que realizava todos os seus pequenos desejos de criança.

No início da década de 70, o menino está morando em Porto Alegre. Passa manhãs solitárias enquanto sua mãe, professora, está na Escola.

Estuda no grupamento Cândido Rondon que depois se transforma no colégio Estadual Santos Dumont. Essa escola pública estava inserida entre um bairro nobre de Porto Alegre e uma vila. Recebia, ao mesmo tempo, alunos ricos e pobres. Sérgio rapidamente faz amizade com os alunos da vila, conhecendo dia a dia as dificuldades com que encaram sua vida sacrificada.

Esse convívio ensinou muitas lições ao menino que começou a entender as injustiças sociais que acontecem no Brasil e foi formando sua personalidade com uma definida opção pelos pobres que crescia à medida que estudava e vivia.

Desde muito jovem, Sérgio percebeu sua vocação política: nas épocas de eleições, ia para as ruas recolher folhetos de candidatos. Enquanto outros meninos brincavam com figurinhas, ele colecionava santinhos.

Na vida escolar, Sérgio relacionava-se com todos e chamava atenção dos seus colegas pela sua educação, pela seriedade nos estudos e pela liderança com que se conduzia grupos de estudo, nos eventos escolares e nos grêmios estudantis que participava.

Aos 14 anos, começa a ler os pensadores sociais, embasando e fortalecendo suas convicções contra a desigualdade social do capitalismo, assumindo uma luta política a favor da esquerda. Apóia a campanha das diretas e representa os alunos na primeiras greves do magistério estadual. Aos 14 anos tinha definido seu pensamento e sua ação como simpatizante do Partido dos Trabalhadores.

Em meio a essa atividade política, aos 17 anos, Sérgio Campos não esquece de lutar pela vida: é vendedor ambulante. Junto com um amigo monta uma pequena empresa e sai para vender produtos ao interior do estado, na região de Tapes, Cerro Grande e Pelotas. Para agilizar as vendas, os dois jovens compram um fusca 61, com apenas duas marchas: primeira e 4ª , sem farol.

Mais tarde, enquanto acadêmico da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Sérgio Campos, no auge de sua juventude, era visto fazendo campanha para o PT na Constituinte de 1988. Época em que mais trabalhou e estudou política: fazia reuniões, escrevia artigos, participava de atividades sociais Como estudante de economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul foi aluno da atual governadora do Estado Yeda Crucius que assinou o seu diploma.

Nesse tempo, fez estágios remunerados no Centro Administrativo da Secretaria de Ciências e Tecnologia. Foi concursado temporário do IBGE para o Censo Econômico de 1986 e trabalhou como garçon, virando as noites quentes e frias de Porto Alegre.

Na gestão de Olívio Dutra, filia-se ao PT. Um ano depois é nomeado assessor de bancada na área técnica de economia. Em 1990 é aprovado no Concurso da Receita Federal e aos 23 anos assume como funcionário em Uruguaiana. Ali, torna-se Presidente da Delegacia Sindical e atua de forma decisiva na valorização classe, abrindo um período de sindicalismo em sua vida, com manifestações públicas que ganham as páginas dos jornais regionais.

No quinto ano como funcionário federal, por escolha própria, muda-se par a Barra do Quaraí, atraído pela tranquilidade do lugar. A acolhida que recebe do povo barrense o faz fixar-se definitivamente na cidade. Inicialmente, pensa em apoiar politicamente algum vereador atuante. Depois, amigos e moradores o convencem a ser candidato e assim nasceu, de forma espontânea e a cada dia ganha mais força uma das mais despretensiosas e populares campanhas para vereador da Barra do Quaraí.

Hoje, Sérgio Campos, realiza um mandato popular com ação social concreta na comunidade junto com a associação dos aposentados, associação de pescadores e dos catadores; uma ação cultural e ambiental junto a ONG Atelier Saladero, ao Movimento Transfronteiriço de ONGs e também uma ação formativa como colaborador da Folha Barrense.

A sociedade barrense aplaude a atuação de Sérgio Campos e sua corajosa dedicação como servidor da causa dos menos favorecidos e dos valores sociais na Barra do Quaraí. Aqui termina nossa história, quando os destinos da cidade e do menino se encotnram... para nunca mais se separarem.

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Pela Barra do Quaraí

Texto de Argemiro Rocha para a produção áudio-visual comemorativa do aniversário de Sérgio Campos em 17 de julho de 2009.